Antropologia e Colonialismo em Moçambique: Lorenzo Macagno no ‘Ciência e Império’

Lorenzo Macagno, Professor da Universidade Federal do Paraná,  Brasil, e investigador visitante do CEsA-UL, será o próximo convidado do Ciclo de Seminários “Ciência e Império”. O seminário intitulado “Antropologia e colonialismo em Moçambique: reflexões sobre uma relação ambígua” decorrerá entre as 12h30 e as 14h30 na Sala 3 do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Resumo da comunicação:

Desde o início da empresa colonial, o interesse pelas “coisas da antropologia” esteve presente entre administradores, governadores e missionários. No caso de Moçambique, as dimensões desse interesse são intrinsecamente problemáticas. Por mais que busquemos distinguir entre uma antropologia profissional e uma antropologia aplicada às questões coloniais, as fronteiras entre ambas são sempre difusas. Em princípio, o administrador e o antropólogo compartilham o lado do “branco”, do colonizador, dos “dominantes”. Mas esta fórmula não é universal. O caso do antropólogo Marvin Harris – expulso de Moçambique por denunciar as arbitrariedades do Regime de Indigenato – desautoriza aquela máxima, repetida mil e uma vezes, segundo a qual a antropologia teria sido cúmplice indubitável do colonialismo. Os nuances, portanto, são inúmeros, apesar de, por momentos, administradores e antropólogos fundirem-se numa natural convergência de interesses. Pretendemos discutir o espaço ocupado por um fragmento da antropologia da época (1940-1970) na empresa colonial. Considerando três casos pontuais – o papel desempenhado por José Gonçalves Cota, António Jorge Dias e Romeu Ivens Ferraz de Freitas -, indagaremos sobre o lugar ambíguo da antropologia na dinâmica colonial e, mais especificamente, no projeto assimilacionista.

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