CFP “Petições e o Atlântico Revolucionário (c.1760-c.1840)”

O grupo de investigação IMPÉRIOS acolherá a conferência internacional Petições e o Atlântico Revolucionário (c. 1760-c.1840) em 2019. A Chamada para Propostas / Call for Papers encontra-se ABERTA.

Submeta uma proposta de comunicação para o email: petitions.ics2019@gmail.com. Data limite para a submissão de propostas : 30 Julho 2018

Organizadores: Isabel Corrêa da Silva, Miguel Dantas da Cruz, Nuno Gonçalo Monteiro (ICS-ULisboa)

Com o aproximar do bicentenário da Revolução Liberal Portuguesa de 1820, a investigação sobre o período revolucionário de finais do século XVIII e inícios do XIX tem ganho novo fôlego. Assim como tem crescido o interesse pelos mecanismos de comunicação política que caracterizaram e possibilitaram a dimensão atlântica do fluxo revolucionário. As petições foram definitivamente um desses mecanismos.

Petições, representações, apelações e outros documentos semelhantes foram usados, individual ou coletivamente, por todos aqueles que queriam dirigir-se à Coroa ou a outras autoridades. Tornando-se, assim, uma marca distintiva do mundo moderno. Como forma de comunicação política ou jurídica, as petições remontam à Europa Medieval, mas ganharam uma expressão geográfica mais ampla durante a expansão europeia, quando se tornaram um dos meios mais comuns usados pelas populações ultramarinas para fazer valer os seus interesses e apresentar as suas queixas. Nesse sentido, o direito de petição pode ser visto como um testemunho das dinâmicas de negociação dos primeiros impérios atlânticos modernos.

Mas as petições foram também um elemento de continuidade entre o mundo moderno e o contemporâneo, uma vez que, ao contrário de muitos outros dispositivos políticos do Antigo Regime, elas sobreviveram ao período revolucionário. Foram, na verdade, um meio de comunicação crucial neste contexto e afirmaram-se depois como recurso estruturante do governo liberal das monarquias constitucionais ou das repúblicas oitocentistas. Estranhamente, grande parte da investigação dedicada a este tipo de fontes, tanto para o período moderno como para o contemporâneo, tende a não valorizar esta continuidade.

Este congresso pretende contribuir para colmatar esta lacuna historiográfica. É nosso objectivo revisitar o papel da petição e a sua adaptação à ampla escala do Atlântico, enfatizando precisamente os aspectos relacionados com o seu encaixe na paisagem política em mutação. O que inclui grosso modo as independências americanas, as revoluções liberais e os primeiros períodos dos novos regimes constitucionais. Dentro destas balizas cronológica e heurística, os tópicos para discussão no congresso podem incluir, mas não estão limitados a: grupos envolvidos no movimento peticionário; petições como voz política dos “esquecidos” (eg. escravos, índios e mulheres); conteúdos e formas de petições; percepções do direito de peticionar no contexto político revolucionário; relação entre movimento peticionário e a reconstrução de identidades coletivas e lealdades políticas; petição como arma política; petições como fonte de ideologia .

 

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