Cor e raça na América Portuguesa: seminário de Ronald Raminelli

“A redenção de Cam”, de Modesto Brocos (fim séc. XIX)

No próximo dia 15 de Março, o Professor Ronald Raminelli da Universidade Federal Fluminense, Brasil, virá apresentar a sua investigação recente sobre o tema “O significado da cor e da raça na América Portuguesa, 1640-1750“. O seminário, aberto a todos, decorrerá na Sala 2 do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Segue abaixo um resumo da palestra e uma nota biográfica do orador.

Resumo: Cor e raça são referências importantes para avaliar os privilégios e impedimentos que sustentavam ou barravam a ascensão social de cristãos-novos, africanos, índios e mestiços no mundo português. Aí os temas da raça e da cor mantinham profundos vínculos com a fé católica e com exclusão social sobretudo de afrodescendentes. A presente análise lança luzes então sobre diversos segmentos sociais do Brasil colonial, embora enfatize os mulatos e as capitanias do norte, particularmente Pernambuco e Bahia, devido às evidências documentais. Vale também alertar que os termos raça e racismo, baseados no determinismo biológico oitocentista, não são adequados para pensar as relações sociais entre os séculos XVII e XVIII. No entanto, a palestra defende que o racismo, a exclusão religiosa e social, baseada na ideia de raça, foi gestado antes do século XIX. Ou melhor, parte–se do pressuposto que a ideia de raça e o racismo não são estáticos, se forjaram ao longo do tempo. Em princípio, tiveram grande influência do catolicismo e posteriormente foram incorporados ao conhecimento científico próprio dos séculos XVIII e XIX. Enfim, a análise centra-se inicialmente no caráter religioso da ideia de raça para depois demonstrar que  na denominação “raça de mulato” houve um recuo do significado religioso, pois o mulato não era um herege, mas um excluído social devido à origem cativa de seus antepassados.

Bio. Ronald José Raminelli é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (1994) e realizou estágio pós-doutoral na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales – Paris. Atualmente é professor associado da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de História Moderna, com ênfase em História do Brasil Colônia, atuando principalmente noestudo sobre as estratégias de ascensão social nas sociedades luso-brasileiras, a partir dos serviços prestados à Monarquia. Explora os mecanismos que pretendiam limitar o acesso a privilégios, cargos e títulos, particularmente a impureza de sangue e os defeitos mecânicos. Nesse sentido, analisa as várias modalidades de pedidos de mercê (morgados, capelas, cargos na administração, habilitações às Ordens Militares, familiaturas ao Santo Ofício, magistratura e foro de fidalgo) e como os privilégios concedidos pelos monarcas ativavam a lealdade de seus vassalos ultramarinos.

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