1640

Joana Fraga, Thiago Krause, 2019.

O que é exactamente a Restauração? Uma restauração da independência, quando Portugal nunca deixou de ser um reino distinto dos demais reinos peninsulares? Ou apenas uma restauração dinástica em torno da Casa de Bragança, e portanto de uma família real portuguesa? Para quem chega do futuro, como nós fazemos aqui, o Portugal que encontramos em 1640 é um país muito diferente, mas que se encontra num momento de viragem decisivo para o que viria a acontecer nos séculos seguintes. Estão na Restauração as raízes da cada vez maior importância do Brasil no império português, o posicionamento autónomo do reino na Guerra da Sucessão Espanhola, e até as escolhas de política económica e diplomática ‘pombalina’. Sem 1640, o Portugal de hoje seria com toda a probabilidade radicalmente distinto. Foi essa evidência que levou a uma espécie de ‘nacionalização da Restauração.’

13º volume da coleção Portugal, Uma Retrospectiva, coordenada por Rui Tavares. Editado pelo jornal Público e pela editora Tinta-da-China, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos.