{"id":6986,"date":"2021-05-19T09:46:44","date_gmt":"2021-05-19T09:46:44","guid":{"rendered":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/?p=6986"},"modified":"2022-12-22T15:16:51","modified_gmt":"2022-12-22T15:16:51","slug":"plano-nacional-de-combate-ao-racismo-intervencao-na-consulta-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/pt\/plano-nacional-de-combate-ao-racismo-intervencao-na-consulta-publica\/","title":{"rendered":"Plano Nacional de Combate ao Racismo &#8211; Interven\u00e7\u00e3o na Consulta P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6985 alignleft\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-300x216.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-300x216.png 300w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-250x180.png 250w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-550x395.png 550w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-417x300.png 417w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo-210x150.png 210w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/imagemue_antiracismo.png 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O texto que se segue constitui um contributo de investigadores do GI Imp\u00e9rios para a discuss\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/gc22\/comunicacao\/comunicado?i=plano-nacional-de-combate-ao-racismo-e-a-discriminacao-em-consulta-publica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano Nacional de Combate ao Racismo e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o <\/a><\/em><em>do Governo portugu\u00eas, que esteve em Consulta P\u00fablica at\u00e9 dia 10 de Maio de 2021. Contribu\u00edram para a reda\u00e7\u00e3o do texto Cl\u00e1udia Castelo, Pedro Gomes, Marta Macedo, Matheus Serva Pereira, Ricardo Roque, Ana Margarida Santos, Kevin Soares, e \u00c2ngela Barreto Xavier. Foi objetivo do nosso contributo salientar a necessidade de o plano final do governo conceder relev\u00e2ncia efetiva \u00e0 \u201chist\u00f3ria do colonialismo e da escravatura\u201d, conforme o <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/info\/files\/union-equality-eu-action-plan-against-racism-2020-2025_en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano de a\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Europeia contra o Racismo 2020-2025<\/a> reconhece e exige. <\/em><em>O texto foi submetido individualmente na plataforma consultalex.gov.pt .<\/em><\/p>\n<p>No dia 7 Maio de 2021, reuniram investigadores do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa, no \u00e2mbito do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o \u201cImp\u00e9rios, Colonialismo e Sociedades P\u00f3s-coloniais\u201d (https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/pt\/). Este grupo estuda o passado e os legados do imp\u00e9rio colonial portugu\u00eas do ponto de vista da hist\u00f3ria e das ci\u00eancias sociais. As observa\u00e7\u00f5es seguintes resultam do debate e das conclus\u00f5es da equipa deste grupo reunida nessa ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto investigadores na \u00e1rea da hist\u00f3ria e das ci\u00eancias sociais saudamos a elabora\u00e7\u00e3o do \u201c<strong>Plano nacional de combate ao racismo e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d (doravante <em>Plano<\/em>) que consideramos um momento fundador de reconhecimento de um problema com ra\u00edzes hist\u00f3ricas e de extrema atualidade no panorama portugu\u00eas contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A natureza do fen\u00f3meno do racismo e da discrimina\u00e7\u00e3o exige uma reflex\u00e3o mais aprofundada do que aquela que o breve texto do <em>Plano <\/em>proporciona. Aproveitamos contudo esta consulta p\u00fablica para tecer alguns coment\u00e1rios que consideramos importantes para melhorar o documento, do ponto de vista da nossa \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, os coment\u00e1rios seguintes visam recomendar a necessidade de medidas concretas que correspondam ao objetivo de \u201ccombater os estere\u00f3tipos e refor\u00e7ar a consci\u00eancia hist\u00f3rica\u201d no respeitante a dois fen\u00f3menos cruciais \u00e0s \u201cra\u00edzes hist\u00f3ricas do racismo\u201d, a saber: o colonialismo e o escravatura.<\/p>\n<p>Conforme sublinha a Comiss\u00e3o Europeia no seu plano de a\u00e7\u00e3o contra o racismo 2020-2025 e o <em>Plano<\/em> igualmente reconhece, \u201co colonialismo, a escravatura e o Holocausto s\u00e3o partes integrantes da nossa Hist\u00f3ria\u201d. Por\u00e9m, o <em>Plano<\/em> \u00e9 omisso na refer\u00eancia a interven\u00e7\u00f5es relativas aos dois primeiros fen\u00f3menos e n\u00e3o aponta qualquer a\u00e7\u00e3o efetiva com eles especificamente relacionada.<\/p>\n<p><em>Coment\u00e1rios:<\/em><\/p>\n<p>Acreditamos que a \u201c<strong>Introdu\u00e7\u00e3o e enquadramento<\/strong>\u201d n\u00e3o \u00e9 expl\u00edcita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 espessura hist\u00f3rica do racismo em Portugal, e \u00e0 sua articula\u00e7\u00e3o com o colonialismo &#8211; e \u00e0s v\u00e1rias formas de relacionamento com a alteridade que este encerrou \u2013 nomeadamente no que se relaciona com o tr\u00e1fico de pessoas escravizadas.<\/p>\n<p>Na \u201c<strong>Introdu\u00e7\u00e3o e enquadramento<\/strong>\u201d, e atendendo a que racismo \u00e9 um processo em constante transforma\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o, ressaltamos que a defini\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno \u00e9 algo limitada. A negrofobia, afrofobia, o anticiganismo, antissemitismo, islamofobia e xenofobia n\u00e3o esgotam nem espelham a diversidade das comunidades alvo de exclus\u00e3o. Exatamente num momento em assistimos a processos de discrimina\u00e7\u00e3o racial em rela\u00e7\u00e3o a popula\u00e7\u00f5es migrantes do sudoeste asi\u00e1tico a trabalhar no Alentejo litoral, apelamos a uma defini\u00e7\u00e3o mais clara e mais ampla do fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>Os \u201c<strong>Princ\u00edpios transversais<\/strong>\u201d que orientam o documento salientam a import\u00e2ncia de desconstruir estere\u00f3tipos. Concordando em pleno com esta proposta, salientamos, no entanto, a aus\u00eancia de programas concretos para desenvolver \u201co conhecimento e consci\u00eancia hist\u00f3rica do fen\u00f3meno do racismo e da discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. Temas como colonialismo e escravatura, essenciais para o entendimento do racismo em Portugal no passado e no presente, deveriam ser alvo de programas espec\u00edficos de financiamento cient\u00edfico \u00e0 imagem do concurso \u201cPortugal e o Holocausto: investiga\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201c<strong>\u00c1reas de interven\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d, ponto 2 \u201cEducac\u0327a\u0303o e cultura\u201d, considero que, para al\u00e9m da disciplina de cidadania e desenvolvimento, deve tamb\u00e9m ser mencionada a import\u00e2ncia de \u201cDiversificar o ensino e os curri\u0301culos\u201d nas disciplinas de Hist\u00f3ria, em todos os ciclos de estudo em Portugal, do 1\u00ba ciclo ao ensino superior.<\/p>\n<p><em>Medidas:<\/em><\/p>\n<p>Por conseguinte, juntamos aos coment\u00e1rios acima a sugest\u00e3o de tr\u00eas medidas concretas nesse dom\u00ednio, que julgamos enriquecer\u00e3o o \u201cPlano nacional de Combate ao racismo e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p><em>Na \u00c1rea de Interven\u00e7\u00e3o 1: <\/em>Governa\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o e conhecimento para uma sociedade n\u00e3o discriminat\u00f3ria:<\/p>\n<p><strong>&#8211; <\/strong>Apelamos a que as a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o de profissionais incluam informa\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do colonialismo, da escravatura e do Holocausto especificamente ligadas ao caso portugu\u00eas.<\/p>\n<p><em>Na \u00c1rea de Interven\u00e7\u00e3o 2:<\/em> Educa\u00e7\u00e3o e cultura e <em>3, <\/em>Ensino Superior<\/p>\n<p>Apelamos a que, para al\u00e9m da disciplina de cidadania e desenvolvimento, seja mencionada a import\u00e2ncia de \u201cDiversificar o ensino e os curri\u0301culos\u201d nas disciplinas de Hist\u00f3ria, em todos os ciclos de estudo em Portugal, do 1\u00ba ciclo ao ensino superior, de modo a incluir informa\u00e7\u00e3o sobre as ra\u00edzes hist\u00f3ricas do racismo em rela\u00e7\u00e3o aos principais fen\u00f3menos acima identificados, bem como sobre as hist\u00f3rias das popula\u00e7\u00f5es racializadas.<\/p>\n<p><em>Na \u00c1rea de Interven\u00e7\u00e3o 3: <\/em>Ensino Superior<\/p>\n<p>Apelamos a que o Governo portugu\u00eas, nomeadamente atrav\u00e9s da FCT, promova programas e iniciativas de apoio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do colonialismo e da escravatura. Sugerimos, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de um Programa Nacional para a Mem\u00f3ria da Escravatura e do Colonialismo, que seja equivalente ao impulso j\u00e1 conferido \u00e0 Mem\u00f3ria do Holocausto.<\/p>\n<p>Por fim, esperamos que futuros desenvolvimentos desta importante iniciativa de \u201cPlano Nacional de Combate ao Racismo e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o\u201d possam vir a beneficiar do saber especializado dos historiadores e cientistas sociais profissionais, ainda insuficientemente plasmado neste documento bem como na composi\u00e7\u00e3o do grupo de trabalho que lhe esteve na origem.<\/p>\n<p><em>Cl\u00e1udia Castelo, Pedro Gomes, Marta Macedo, Matheus Serva Pereira, Ricardo Roque, Ana Margarida Santos, Kevin Soares, e \u00c2ngela Barreto Xavier<\/em><\/p>\n<p>Lisboa, 9 Maio 2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadores do GI Imp\u00e9rios contribuem para a discuss\u00e3o p\u00fablica do &#8220;Plano Nacional de Combate ao Racismo e \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o&#8221; do Governo portugu\u00eas, em Maio de 2021. 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