{"id":5327,"date":"2020-05-20T14:44:13","date_gmt":"2020-05-20T14:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/?p=5327"},"modified":"2021-05-08T21:17:46","modified_gmt":"2021-05-08T21:17:46","slug":"the-blood-that-remains","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/the-blood-that-remains\/","title":{"rendered":"Viver com o sangue que fica:&#8217; The Blood That Remains&#8217;, pesquisa sobre uma cole\u00e7\u00e3o colonial"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5329\" aria-describedby=\"caption-attachment-5329\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5329 \" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21990-288x300.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"391\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5329\" class=\"wp-caption-text\">Organograma das Pesquisas Cient\u00edficas do Ultramar, Junta de Investiga\u00e7\u00f5es do Ultramar (ACTD, 1958)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Viver com o sangue que fica: <em>The Blood That Remains<\/em>, pesquisa sobre uma cole\u00e7\u00e3o colonial<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ics.ulisboa.pt\/pessoa\/ricardo-roque\">Ricardo Roque<\/a> (ICS-ULisboa)<\/p>\n<p><em>As palavras introdut\u00f3rias que se seguem foram escritas para o\/a leitor\/a do artigo <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/bjhs-themes\/article\/blood-that-remains-card-collections-from-the-colonial-anthropological-missions\/0E3AA84629B838FE911ACDC8635DEFF4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cThe Blood That Remains\u201d BJHS Themes (2019)<\/a>, de que se d\u00e1 tamb\u00e9m not\u00edcia neste post.<\/em><\/p>\n<p>Existem momentos em que confortar\u00e1 pensar que o colonialismo e o racismo cient\u00edfico apenas pertencem, bem contidos e arrumados, a uma \u00e9poca antiga que acabou. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. \u00c9 sabido que por mais que o passado passe (ou por mais que queiramos que ele n\u00e3o regresse) h\u00e1 sempre coisas que ficam, bocados que se arrastam. Vivos, ou ap\u00e1ticos; inteiros, ou em destro\u00e7os; pacificados, ou inc\u00f3modos, dolorosos e corrosivos como ferrugem. Na mem\u00f3ria. Nas palavras ditas. Nos gestos feitos. Na mat\u00e9ria de objetos, lugares, ou institui\u00e7\u00f5es. Assim \u00e9, por exemplo, com o colonialismo portugu\u00eas. Em Portugal, o \u00f3bito tardio do longo, complexo e cruel \u2018imp\u00e9rio colonial portugu\u00eas\u2019 foi declarado em 1974-75 com a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril e as descoloniza\u00e7\u00f5es africanas. Mas dele muitas coisas ficaram connosco \u2013 ficam \u2013 agora, em 2020, situadas no lugar dessas dif\u00edceis ambival\u00eancias, atravessadas entre passado, presente e futuro; entre a lat\u00eancia e a a\u00e7\u00e3o; entre o monumento e a ru\u00edna. Mesmo assim, talvez, confortar\u00e1 pensar que o tempo \u00e9 como uma linha a direito, pontuada por datas e dividida em cronologias, por vezes sujeitas a rotulagens v\u00e1cuas e pomposas, de \u201c\u00c9pocas\u201d e \u201cEras\u201d nacionais. A moderna disciplina da Hist\u00f3ria, tal como a conhece o Ocidente, tem tratado de erigir estes separadores. Mas a mesma disciplina hoje \u2013 e \u00e9 esse o tipo de ci\u00eancia hist\u00f3rica que pratico \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3diga no desarranjo e exame cr\u00edtico dessas mesmas arruma\u00e7\u00f5es. Pois o tempo, aprendi lendo o fil\u00f3sofo franc\u00eas Michel Serres, n\u00e3o se assemelha \u00e0 linha reta tra\u00e7ada numa folha em branco; antes se apresenta como o voo retorcido e emaranhado de uma vespa.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, a investiga\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria e antropologia tem prestado aten\u00e7\u00e3o crescente aos modos de sobrevida do antigo \u2018colonialismo\u2019 e suas ci\u00eancias, na Europa e fora dela. V\u00e1rios autores refletem sobre a atualidade premente de \u201clegados\u201d imperiais; de \u201dmem\u00f3rias coloniais\u201d; ou do chamado \u201cpatrim\u00f3nio\u201d de origem colonial. Outros abordam o tema a partir de usos e modos de presen\u00e7a do passado colonial. Outros ainda, como a norte-americana Ann L. Stoler, falam de \u201cru\u00ednas\u201d dur\u00e1veis em atividade, considerando, por exemplo, os modos como as pessoas <em>vivem<\/em> <em>com<\/em> restos e vest\u00edgios v\u00e1rios de regimes raciais e coloniais abandonados. Em rela\u00e7\u00e3o a alguns destes ditos legados, o debate acad\u00e9mico e p\u00fablico \u2013 hist\u00f3rico, \u00e9tico e pol\u00edtico \u2013 tem sido especialmente aceso. \u00c9 o caso das cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de origem colonial \u2013 elas tamb\u00e9m um desses vest\u00edgios que ficaram, a seu modo um \u201clegado\u201d colonial. O debate \u00e9 aceso quando est\u00e1 em causa a perman\u00eancia ou restitui\u00e7\u00e3o\/repatriamento das abundantes cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de origem colonial existentes em museus (incluindo museus portugueses) para as suas comunidades de origem ou \u201cex-col\u00f3nias\u201d. \u00a0E refiro aqui a quest\u00e3o premente e extrema da restitui\u00e7\u00e3o por um motivo. Enquanto gesto pol\u00edtico de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, ela demonstra, sob a forma aguda do antagonismo, que dificilmente se domestica a hist\u00f3ria colonial e racial dessas cole\u00e7\u00f5es num hipot\u00e9tico passado \u2013 como se as \u00e1guas dessa hist\u00f3ria amea\u00e7assem permanente derrame, extravasando o canal que as cont\u00e9m. Ela mostra que tamb\u00e9m nas \u2018cole\u00e7\u00f5es que ficam\u2019 o colonialismo continua a insinuar-se como uma figura temporal ambivalente, um tempo que se apresenta \u00e0 imagem dessa linha feita no ar pelo voo da vespa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5362\" aria-describedby=\"caption-attachment-5362\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5362\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017-300x235.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017-300x235.png 300w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017-250x196.png 250w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017-229x180.png 229w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017-382x300.png 382w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IICTNC017.png 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5362\" class=\"wp-caption-text\">Centro de Estudos de Etnologia do Ultramar, 1958. Fonte: https:\/\/actd.iict.pt\/view\/actd:AHUD24008<\/figcaption><\/figure>\n<p>Talvez por estas raz\u00f5es escrever e investigar a hist\u00f3ria da sobrevida das muitas cole\u00e7\u00f5es coloniais de cariz racial ou racista em museus portugueses seja importante para repensar o modo como, em Portugal, se vem vivendo com os vest\u00edgios que ficam do colonialismo e dos seus racismos. Eles habitam simultaneamente o tempo que passou, aquele em que se vive, e o espectro do tempo futuro que se repudia, ou a que se aspira. Com efeito, bem para l\u00e1 do fim do imp\u00e9rio no anos 1970; da morte dos cientistas e institui\u00e7\u00f5es coloniais; ou da invalida\u00e7\u00e3o mesmo dos m\u00e9todos e teorias que as originaram, muitas cole\u00e7\u00f5es persistem guardadas nos museus. Com elas foram coexistindo imagin\u00e1rios imperiais, e uma ci\u00eancia colonial, racial e racista, desde \u00e0 d\u00e9cada de 1930 quase at\u00e9 aos nossos dias. De tal modo que o historiador do \u201ccolonialismo portugu\u00eas\u201d ou da \u201cci\u00eancia colonial\u201d n\u00e3o encontra a sua mat\u00e9ria de trabalho apenas entre o p\u00f3 dos velhos arquivos. Ela atravessa-se consigo no dia-a-dia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5349\" aria-describedby=\"caption-attachment-5349\" style=\"width: 364px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5349\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"364\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-300x300.jpg 300w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-150x150.jpg 150w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-768x766.jpg 768w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-48x48.jpg 48w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-250x249.jpg 250w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-550x549.jpg 550w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944.jpg 800w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-180x180.jpg 180w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-301x300.jpg 301w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-501x500.jpg 501w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-45x45.jpg 45w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/web_n21944-500x500.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5349\" class=\"wp-caption-text\">Caixa com material antropom\u00e9trico das Miss\u00f5es Antropobiol\u00f3gicas de Angola e Timor (ACTD, 1958)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi assim que, numa tarde do ano de 2013, me cruzei com a cole\u00e7\u00e3o que motivou a pesquisa de que trata o artigo h\u00e1 pouco tempo sa\u00eddo na revista <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/bjhs-themes\"><em>BJHS Themes<\/em><\/a> (revista online que \u00e9 o bra\u00e7o tem\u00e1tico, de periodicidade anual, do <em>British Journal for the History of Science<\/em>). Num velho arm\u00e1rio da d\u00e9cada de 1950, encontrei uma cole\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es contendo milhares de amostras secas de sangue e grupos sangu\u00edneos origin\u00e1rios de popula\u00e7\u00f5es africanas e asi\u00e1ticas do antigo \u2018imp\u00e9rio colonial portugu\u00eas\u2019. O arm\u00e1rio estava guardado num quarto da Rua da Junqueira em Bel\u00e9m, que servia de dep\u00f3sito a velhas publica\u00e7\u00f5es e material de escrit\u00f3rio do antigo Centro de Antropobiologia do Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tropical (IICT), um Centro extinto por volta de 2004, uma d\u00e9cada antes de o pr\u00f3prio IICT ser dissolvido e fundido com a Universidade de Lisboa, em 2015. A apar\u00eancia de quase abandono destes materiais, contudo, escondia uma hist\u00f3ria complexa e fascinante de muta\u00e7\u00f5es e resili\u00eancias v\u00e1rias daquele que foi \u2013 e \u00e9 ainda \u2013 o tempo colonial e racial\/ista desta cole\u00e7\u00e3o. Chamei cron\u00f3topo colonial a este modo do tempo se inscrever e ativar na materialidade das cole\u00e7\u00f5es e nos imagin\u00e1rios, rela\u00e7\u00f5es e afetos que as foram mantendo. No caso dos cart\u00f5es, esta \u00e9 tamb\u00e9m uma cole\u00e7\u00e3o geneticamente \u201ccontaminada\u201d que, conforme descobri, denota por isso uma forma singular de atuar no desmancho do seu cron\u00f3topo colonial. Continuo a perguntar-me como devemos n\u00f3s viver com este sangue que fica; como viver com esta ainda chamada \u2018cole\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u2019 que subsiste conservada no Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural e da Ci\u00eancia, em Lisboa; continuo a perguntar-me como podemos descolonizar-lhe, por assim dizer, o colonialismo e o racismo que em si resta. E aqui me interrompo para que estas palavras de introdu\u00e7\u00e3o n\u00e3o soem a fechamento a quem me l\u00ea agora \u2013 antes sirvam de convite \u00e0 leitura de outro texto.\u00a0Leia o artigo <strong><a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/bjhs-themes\/article\/blood-that-remains-card-collections-from-the-colonial-anthropological-missions\/0E3AA84629B838FE911ACDC8635DEFF4\">aqui, em acesso livre<\/a> <\/strong>, em l\u00edngua inglesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo por Ricardo Roque analisa aspectos da ci\u00eancia colonial portuguesa e os vest\u00edgios do colonialismo portugu\u00eas a partir de uma cole\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es com milhares de amostras de sangue de popula\u00e7\u00f5es africanas e asi\u00e1ticas existente no Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural e da Ci\u00eancia, em Lisboa.<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":5362,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_cbd_carousel_blocks":"[]","_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[286,77],"tags":[147,97,282,99,287,92,121,94,129,95,275],"class_list":["post-5327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-latest-articles","category-publicacao","tag-anthropology","tag-archive","tag-colonialism","tag-decolonization","tag-material-culture","tag-museum","tag-portugal","tag-race","tag-racism","tag-ciencia","tag-article"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.0","language":"en","enabled_languages":["en","pt"],"languages":{"en":{"title":true,"content":true,"excerpt":true},"pt":{"title":true,"content":false,"excerpt":false}}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5327"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5360,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5327\/revisions\/5360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}