{"id":8171,"date":"2022-04-05T14:05:34","date_gmt":"2022-04-05T14:05:34","guid":{"rendered":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/?p=8171"},"modified":"2023-02-21T14:38:03","modified_gmt":"2023-02-21T14:38:03","slug":"ciclo-de-conferencias-visualidades-negras-entre-6-abril-e-18-maio-no-ccb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/ciclo-de-conferencias-visualidades-negras-entre-6-abril-e-18-maio-no-ccb\/","title":{"rendered":"Ciclo de Confer\u00eancias &#8220;Visualidades Negras&#8221;, entre 6 abril e 18 maio, no CCB"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header\">\n<header class=\"article-header\">\n<div class=\"mceTemp\">\n<figure id=\"attachment_8172\" aria-describedby=\"caption-attachment-8172\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8172 size-medium\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-237x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-237x300.jpeg 237w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-250x316.jpeg 250w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-550x695.jpeg 550w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-142x180.jpeg 142w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-395x500.jpeg 395w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass.jpeg 590w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8172\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Frederick Douglass 1847-1852, Daguerreotipo por Samuel J Miller, Cortesia de Art Institute of Chicago<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1861, Frederick Douglass, um negro norte-americano, escreveu um ensaio intitulado\u00a0<em>Imagens e progresso<\/em>. Nascera escravizado, mas, tendo conseguido fugir, tornou-se uma voz p\u00fablica \u2013 em textos e confer\u00eancias \u2013 a favor da aboli\u00e7\u00e3o e, em geral, da humaniza\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es de norte-americanos de origem africana que, em meados do s\u00e9culo XIX, viviam entre a opress\u00e3o e a conquista de um estatuto de cidadania. Douglass escreveu sobre o potencial transformador da fotografia para produzir mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas na nova na\u00e7\u00e3o surgida ap\u00f3s a guerra civil. Vivia, segundo ele, num s\u00e9culo em que a imagem se tinha tornado mais importante do que a palavra, e fez-se fotografar em retratos de est\u00fadio que contrastavam com as muitas fotografias de pessoas escravizadas feitos no mesmo per\u00edodo em v\u00e1rios lugares do mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos EUA, e no mesmo per\u00edodo, Sojourner Truth, uma mulher que nascera escravizada, recorria \u00e0 autorrepresenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica para promover a dignidade das mulheres e homens negros norte-americanos. Sob o seu retrato, que vendia para promover a causa abolicionista tal como a igualdade de g\u00e9nero, lia-se uma frase ic\u00f3nica: \u00abEu vendo a sombra para promover a subst\u00e2ncia\u00bb (1864\/1865). A sombra da fotografia ao servi\u00e7o da subst\u00e2ncia \u2013 um futuro mais humano e igualit\u00e1rio onde a discrimina\u00e7\u00e3o fosse algo do passado. Esse futuro provou ser uma \u00abluta constante\u00bb, como escreveu mais de cem anos depois Angela Davis, mas as potencialidades da imagem como empoderamento e n\u00e3o apenas como desumaniza\u00e7\u00e3o j\u00e1 estavam enunciadas.<\/p>\n<p>Estes dois casos servem como contra narrativas a uma cultura visual dominante em que as imagens de pessoas negras surgiam em situa\u00e7\u00f5es de escravatura ou colonialismo ou, ontem como hoje, v\u00edtimas de racismo e viol\u00eancia, policial como estrutural ou, no caso dos corpos das mulheres, tamb\u00e9m viol\u00eancia sexual. Desigualdade racial e de g\u00e9nero legitimada por genealogias de poderes em que uns corpos valiam mais do que outros.<\/p>\n<p>Cada contexto nacional tem a sua especificidade hist\u00f3rica. Se os arquivos hist\u00f3ricos visuais dos EUA s\u00e3o indissoci\u00e1veis da escravatura oitocentista ou da segrega\u00e7\u00e3o recente, as imagens de pessoas negras nos arquivos portugueses, como nos franceses, brit\u00e2nicos ou alem\u00e3es s\u00e3o insepar\u00e1veis de uma hist\u00f3ria recente em que a cronologia do colonialismo coincidiu com a da fotografia nas suas m\u00faltiplas formas de reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 postais, livros, jornais e folhetos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos t\u00eam sido muitos os acad\u00e9micos, artistas, curadores e arquivistas \u2013 muitos deles negros e da di\u00e1spora africana \u2013 a abordarem criticamente a rela\u00e7\u00e3o entre visualidade e negritude, entre imagens e racismo, entre direito a representa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico como modo de justi\u00e7a racial e social; ou, as muitas implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas em lidar, hoje, com os legados visuais do passado.<\/p>\n<p>Neste ciclo de confer\u00eancias, iremos ouvir e debater com algumas destas vozes. \u2013\u00a0<strong>Filipa Lowndes Vicente, Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o 5 sess\u00f5es, algumas em ingl\u00eas, outras em portugu\u00eas e contam com a participa\u00e7\u00e3o de . O ciclo tem lugar no Centro Cultural de Bel\u00e9m, em Lisboa. Veja programa completo <a href=\"https:\/\/www.ccb.pt\/evento\/visualidades-negras\/2022-05-04\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_8172\" aria-describedby=\"caption-attachment-8172\" style=\"width: 237px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8172 size-medium\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-237x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-237x300.jpeg 237w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-250x316.jpeg 250w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-550x695.jpeg 550w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-142x180.jpeg 142w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass-395x500.jpeg 395w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/frederickdouglass.jpeg 590w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8172\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Frederick Douglass 1847-1852, Daguerreotipo por Samuel J Miller, Cortesia de Art Institute of Chicago<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1861, Frederick Douglass, um negro norte-americano, escreveu um ensaio intitulado\u00a0<em>Imagens e progresso<\/em>. Nascera escravizado, mas, tendo conseguido fugir, tornou-se uma voz p\u00fablica \u2013 em textos e confer\u00eancias \u2013 a favor da aboli\u00e7\u00e3o e, em geral, da humaniza\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es de norte-americanos de origem africana que, em meados do s\u00e9culo XIX, viviam entre a opress\u00e3o e a conquista de um estatuto de cidadania. Douglass escreveu sobre o potencial transformador da fotografia para produzir mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas na nova na\u00e7\u00e3o surgida ap\u00f3s a guerra civil. Vivia, segundo ele, num s\u00e9culo em que a imagem se tinha tornado mais importante do que a palavra, e fez-se fotografar em retratos de est\u00fadio que contrastavam com as muitas fotografias de pessoas escravizadas feitos no mesmo per\u00edodo em v\u00e1rios lugares do mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos EUA, e no mesmo per\u00edodo, Sojourner Truth, uma mulher que nascera escravizada, recorria \u00e0 autorrepresenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica para promover a dignidade das mulheres e homens negros norte-americanos. Sob o seu retrato, que vendia para promover a causa abolicionista tal como a igualdade de g\u00e9nero, lia-se uma frase ic\u00f3nica: \u00abEu vendo a sombra para promover a subst\u00e2ncia\u00bb (1864\/1865). A sombra da fotografia ao servi\u00e7o da subst\u00e2ncia \u2013 um futuro mais humano e igualit\u00e1rio onde a discrimina\u00e7\u00e3o fosse algo do passado. Esse futuro provou ser uma \u00abluta constante\u00bb, como escreveu mais de cem anos depois Angela Davis, mas as potencialidades da imagem como empoderamento e n\u00e3o apenas como desumaniza\u00e7\u00e3o j\u00e1 estavam enunciadas.<\/p>\n<p>Estes dois casos servem como contra narrativas a uma cultura visual dominante em que as imagens de pessoas negras surgiam em situa\u00e7\u00f5es de escravatura ou colonialismo ou, ontem como hoje, v\u00edtimas de racismo e viol\u00eancia, policial como estrutural ou, no caso dos corpos das mulheres, tamb\u00e9m viol\u00eancia sexual. Desigualdade racial e de g\u00e9nero legitimada por genealogias de poderes em que uns corpos valiam mais do que outros.<\/p>\n<p>Cada contexto nacional tem a sua especificidade hist\u00f3rica. Se os arquivos hist\u00f3ricos visuais dos EUA s\u00e3o indissoci\u00e1veis da escravatura oitocentista ou da segrega\u00e7\u00e3o recente, as imagens de pessoas negras nos arquivos portugueses, como nos franceses, brit\u00e2nicos ou alem\u00e3es s\u00e3o insepar\u00e1veis de uma hist\u00f3ria recente em que a cronologia do colonialismo coincidiu com a da fotografia nas suas m\u00faltiplas formas de reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 postais, livros, jornais e folhetos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos t\u00eam sido muitos os acad\u00e9micos, artistas, curadores e arquivistas \u2013 muitos deles negros e da di\u00e1spora africana \u2013 a abordarem criticamente a rela\u00e7\u00e3o entre visualidade e negritude, entre imagens e racismo, entre direito a representa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico como modo de justi\u00e7a racial e social; ou, as muitas implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas em lidar, hoje, com os legados visuais do passado.<\/p>\n<p>Neste ciclo de confer\u00eancias, iremos ouvir e debater com algumas destas vozes. \u2013\u00a0<strong>Filipa Lowndes Vicente, Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o 5 sess\u00f5es, algumas em ingl\u00eas, outras em portugu\u00eas e contam com a participa\u00e7\u00e3o de Heloisa Pires Lima, Billy Woodberry, Deborah Willis, Kenneth Montague, Ruth Wilson Gilmore.<\/p>\n<p>O ciclo tem lugar no Centro Cultural de Bel\u00e9m, em Lisboa. Veja programa completo <a href=\"https:\/\/www.ccb.pt\/evento\/visualidades-negras\/2022-05-04\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n<\/header>\n<\/header>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programa coordenado por Filipa Lowndes Vicente<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":8172,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_cbd_carousel_blocks":"[]","_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[25,97,282,124,92,108,289,285,107],"class_list":["post-8171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divulgacao","tag-afrodescendentes","tag-archive","tag-colonialism","tag-memory","tag-museum","tag-fotografia","tag-postcolonialism","tag-visual-culture","tag-guerras"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.0","language":"en","enabled_languages":["en","pt"],"languages":{"en":{"title":true,"content":true,"excerpt":true},"pt":{"title":true,"content":true,"excerpt":true}}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8171"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8171\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8180,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8171\/revisions\/8180"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}