{"id":879,"date":"2017-12-13T15:00:53","date_gmt":"2017-12-13T15:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/?p=879"},"modified":"2020-12-20T01:48:53","modified_gmt":"2020-12-20T01:48:53","slug":"imagem-guerra-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/imagem-guerra-e-memoria\/","title":{"rendered":"Imagem, guerra e mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_883\" aria-describedby=\"caption-attachment-883\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-883 size-medium\" src=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Capa_album_JM_texto-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Capa_album_JM_texto-221x300.jpg 221w, https:\/\/gi-imperios.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Capa_album_JM_texto.jpg 306w\" sizes=\"auto, (max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-883\" class=\"wp-caption-text\">Capa de \u00e1lbum fotogr\u00e1fico, arquivo privado.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\">Por <strong>Maria Jos\u00e9 Lobo Antunes<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1961 e 1974, o estado portugu\u00eas combateu guerras que nunca foram oficialmente declaradas. As a\u00e7\u00f5es militares em Angola, Guin\u00e9 e Mo\u00e7ambique destinaram-se, de acordo com a vers\u00e3o oficial do Estado Novo, a conter focos insurrecionais isolados. A propaganda e a censura, refor\u00e7adas durante os anos do conflito, estabeleceram os limites no interior dos quais se podia imaginar a na\u00e7\u00e3o. A mobiliza\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o militar nos territ\u00f3rios africanos foi garantida por um discurso oficial que, atrav\u00e9s de palavras e de imagens, recordava a brutalidade dos ataques de mar\u00e7o de 1961 e, simultaneamente, enfatizava a paz, progresso e portugalidade das chamadas prov\u00edncias ultramarinas.<br \/>\nRecrutados pela conscri\u00e7\u00e3o que enviou centenas de contingentes da ent\u00e3o metr\u00f3pole para \u00c1frica, mais de 800 mil homens cumpriram comiss\u00f5es de servi\u00e7o. Nas zonas de a\u00e7\u00e3o militar, afastados dos mecanismos de vigil\u00e2ncia que determinavam o que podia e n\u00e3o podia ser visto, estes militares captaram imagens amadoras do mundo que os rodeava. Os estudos que t\u00eam analisado os arquivos fotogr\u00e1ficos pessoais de ex-combatentes de outras guerras coloniais deixam entrever as zonas de contacto e de ruptura que existem entre as cole\u00e7\u00f5es privadas e a visualidade oficial, nomeadamente no que respeita \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da alteridade nos imp\u00e9rios e \u00e0s habitualmente censuradas imagens de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO projeto \u201cImagem, guerra e mem\u00f3ria: fotografia da guerra colonial nas cole\u00e7\u00f5es privadas e nos arquivos institucionais\u201d \u00e9 guiado por dois objetivos. O primeiro objetivo \u00e9 o de criar uma base digital de imagens com materiais provenientes de arquivos privados e institucionais. A constru\u00e7\u00e3o desta base permitir\u00e1 identificar, reunir, analisar e disponibilizar online cole\u00e7\u00f5es que t\u00eam permanecido dispersas. \u00c9 a partir desta recolha que se desenvolver\u00e1 o segundo objetivo: o de interrogar a fotografia enquanto elemento vis\u00edvel de um processo mais vasto, um processo que atravessa planos espaciais e temporais diversos e que coloca em rela\u00e7\u00e3o pessoas, objetos, representa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas. Cruzando contributos provenientes da antropologia, da hist\u00f3ria e dos estudos de mem\u00f3ria, pretende-se examinar os aspetos materiais e as din\u00e2micas relacionais das fotografias, p\u00fablicas e pessoais, dos treze anos de guerra. Trata-se de, por um lado, analisar a liga\u00e7\u00e3o entre os planos visual e discursivo da experi\u00eancia de guerra e da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio (como foram produzidas, divulgadas e consumidas imagens p\u00fablicas sobre a vida nas col\u00f3nias e sobre a a\u00e7\u00e3o militar portuguesa nestes territ\u00f3rios?) e, por outro lado, interrogar as rela\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es criadas produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica amadora (como podem as fotografias fazer convergir a hist\u00f3ria visual e a hist\u00f3ria oral?).<\/p>\n<p>O projeto \u201cImagem, guerra e mem\u00f3ria\u201d \u00e9 da responsabilidade da investigadora Maria Jos\u00e9 Lobo Antunes.<br \/>\nFinanciamento: Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia ( SFRH\/BPD\/116134\/2016), abril 2017-mar\u00e7o 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Jos\u00e9 Lobo Antunes. 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