No dia 20 de janeiro, das 10h às 12h, terá lugar um seminário do GI Impérios contando com a presença de investigadores visitantes do ICS-ULisboa, onde se pretende apresentar os resultados preliminares das pesquisas que estes realizaram no decorrer de suas estadias no instituto . O seminário decorrerá na Sala 1.Leonardo Soares dos Santos (Professor Associado do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense – UFF, Campos dos Goytacazes)
O PCB, as Guerras de Libertação na África e o movimento sindical internacional: o exemplo dos debates da Federação Sindical Mundial (1954-1975)
Esta comunicação pretende apresentar resultados preliminares do projeto de investigação referente a dois aspectos do movimento sindical-internacional: a inserção de lideranças sindicais brasileiras nesse movimento (em especial quadros do Partido Comunista do Brasil (PCB) e como esses agentes atuaram no debate específico sobre as guerras de libertação na África a partir de meados da década de 1950. Por essa razão a pesquisa focaliza a atuação dos quadros pecebistas na Federação Sindical Mundial (FSM) e na União da Internacional Sindical dos Trabalhadores da Agricultura, Floresta e Plantação (UISTAFP) – órgão este subordinado à primeira, e onde os brasileiros tinham atuação mais destacada. O período do estudo se inicia em 1954, ano da eclosão da luta pela Independência em Argélia, e finaliza em 1975, quando são efetivas as independências de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Emiliano Jamba António João (Doutorando em História pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP)
“Ca Lia Onjamba Ci Liñi Kavai Yoko”: Caminhos metodológicos para uma historiografia do mundo invisível no sudoeste angolano (1975 – 2002)
O fenómeno do “mundo invisível” é inevitavelmente algo que sempre atravessou as pesquisas em relação ao contexto africano, entretanto, com o passar dos anos verificou-se um recuo em relação a tal temática. Nossa tese é a de que a crítica ao folclorismo em torno desta temática e a história excessivamente antropocêntrica e marxista, contribuiram para este afastamento da demanda religiosa no campo da história. Porém, há um movimento iniciado na década de 1970 em torno do resgate da questão religiosa na análise dos diversos assuntos africanos, legando assim aos historiadores(a)es da contemporaneidade o desafio de levar a sério a questão religiosa em suas pesquisas. É neste sentido que para esta nossa reflexão pretendemos trazer para a discussão historiográfica os desafios metodológicos, teóricos e documentais encontrados na pesquisa sobre as agências dos espíritos no universo angolano, com foco no sudoeste do país, entre 1975 e 2002. Somos conscientes de que ao abordar esse “mundo invisível”, inevitavelmente lidamos direta ou indiretamente com os limites e possibilidades do ofício do(a) historiador(a), tais como, a escassez de registros tradicionais, a ausência quase total dessa temática na historiografia nacionalista angolana e a necessidade de recorrer a fontes não convencionais — narrativas orais, memórias, práticas rituais, literatura, etnografias e cosmologias locais. Contudo, tal como nos advertiu Ki-Zerbo (2010) é precisamente nisto que consiste a riqueza de uma pesquisa desta natureza.
